Desabafo de uma professora!
Postado por Thaize Torres Feijójul 15
Oi pessoal!
Depois de alguns meses de ausência e de muitos e-mails de colegas perguntando quando voltaria a escrever para o blog, decidi retornar com um desabafo.
Hoje, meu coração está um pouco apertado. Não dormi direito e estou com uma sensação dúbia: muito feliz por estar me preparando para a chegada de minha princesinha e triste por ter deixado tão precocemente meus alunos. Pois é, após as férias de meio de ano, entrarei em licença maternidade.
O último dia de aula foi um pouco confuso para mim. Sentia vontade de ficar pertinho de cada aluno. Colocá-los no colo, falar o quanto gosto de cada um deles e dizer que serão inesquecíveis. Mas não podia fazer isso de forma tão escancarada, eles poderiam ficar tristes e não era essa a minha intenção, então, preferi ficar de coadjuvante naquela sala, apenas sentindo, observando e lembrando dos momentos gostosos que passamos. Lembrei das broncas que tive que dar, das conversas, das emoções, preocupações etc. A vontade de chorar vinha, eu respirava fundo e seguia em meus pensamentos.
Ao sair, alguns alunos choraram, me abraçaram tão forte, me deram um beijo e falaram que me amam. Também os amo muito!!
Sei que já estava precisando mesmo parar, mas é muito difícil me desligar.
Nós, professores, temos isso, né? Um sentimento de pertença tão grande pelos nossos alunos, uma sensação de que só nós saberíamos cuidar direitinho daquele grupo. Sei que é besteira da minha parte, mas…
Esta turminha ficará para sempre guardada em minha lembrança e em meu coração.
Como sempre digo: A turma 301 é show!!
6 comentários
Comentário by laura datz on 5 de agosto de 2011 at 21:01
thai sei que des do ultimo dia de aula nao falei muito com voce mais eu juro que tentei seu imail e etc mas alen de tudo em meu coracao todos os alnos guardao voce como uma memoria cada vez que entro no seu blog lembro de quando pasava o quintal pertinho de voce eu sentava en seu colo falando e ouvindo novidades mas desde o ultimo dia de aula tudo mudou sai da escola chorando so pensando em voce
beijos laura sua velha aluna
Comentário by Renata Santos on 25 de setembro de 2011 at 8:38
A DIFICULDADE DE TER EDUCAÇÃO NUM PAÍS SEM EDUCAÇÃO
Estou indignada com o episódio que presenciei hoje na rede municipal de São Caetano do Sul, na qual trabalho. Nunca acreditamos que isto pode acontecer com qualquer um, mas quando acontece, é hora de parar para refletir um pouco.
Nunca tive vergonha em dizer que sou professora, mesmo em tempos difíceis como este que estamos vivendo.Muitas pessoas ‘torcem o nariz’ quando sabem que ser professora é a minha opção de vida. Digo de vida sim , porque não conheço nenhuma colega de profissão que consiga sair da escola e
não pensar mais naquilo que fez, que fará ou que deixou de fazer naquele dia.
Não conseguimos nos desligar, nem que quiséssemos. Inevitável não levarmos trabalho para casa, já que toda a nossa atenção e dedicação enquanto estamos em sala é para nossos alunos. Tudo o que envolve estar ali é resolvido fora dali, e mais, fora do horário de trabalho. Temos necessidade inerente a profissão de constante atualização, capacitação, informação e outros “ão” que não caberiam por aqui, que não nos reverte em nada em
termos financeiros, somente profissional e pessoal.
O que está acontecendo dentro das escolas? Onde está o respeito? A educação? Sumiram! Não vou aqui culpar governo como é hábito geral: tudo é culpa do governo. A culpa é de todos! O governo é aquilo que o povo decidiu que fosse!
Você pega um ônibus e é obrigado a ouvir o que o indivíduo está escutando no celular dele. Ele tem dinheiro o suficiente para comprar um celular com todos os recursos possíveis, mas não tem EDUCAÇÃO para usá-lo. Não tem respeito ao próximo, uma vez que a sua liberdade termina onde começa a
minha. Individualismo!
Você está dentro da sua casa, com sua família, e é obrigado a conviver com carros super-equipados de som, que além do volume altíssimo, as músicas geralmente fazem apologia ao crime, drogas e prostituição. Minhaa filha pré-adolescente ou minhaa mãe são expostas a expressões que vulgarizam de tal forma as mulheres, que não consigo entender ou imaginar que exista alguma que goste de ser chamada ou tratada desta forma. Aliás, deve existir sim, senão a música não existiria: falta de cultura. Enfim, o indivíduo tem dinheiro suficiente para ter um carro e equipá-lo com o som, mas não tem EDUCAÇÃO nem RESPEITO com seu próximo. Individualismo de novo.
Pois bem, oferece-se ao indivíduo fácil acesso a internet, mas sem EDUCAÇÃO ele não sabe tirar proveito do que ela tem de melhor: CULTURA
e INFORMAÇÃO. Usa para baixar este tipo de música que jamais seria vendido numa loja de cd´s por exemplo.
Se tivéssemos a quantidade de bancas com venda ou troca de livros na mesma proporção em que se acham de Cd´s e DVD´s piratas por aí… Um
sonho!
Pois bem, o povo precisa de diversão, então, para quê combater com seriedade este tipo de comércio? Pão e Circo… Vi na TV que o número de mortes no trânsito no Brasil quase que triplicou de uns anos para cá, e que os principais vilões deste número são os motociclistas. Então, oferece-se crédito fácil para aquisição, mas não se investe num preparo sério de educação no trânsito. Conclusão: tragédias todos os dias, e multas para todos os lados.
Para onde vai mesmo esta receita? Explodem casos de erros médicos! Uma enfermeira, não leu o rótulo e injetou glicerina ao invés de soro na paciente, que veio a óbito. O que faltou? EDUCAÇÃO, pois a escola não pode mais exigir nota, exigir responsabilidade, reprovar. Não se pode reprovar para evitar a evasão escolar, mas pode-se aprovar pessoas incapazes que, futuramente, serão profissionais incapazes.
Conclusão: tragédias todos dos dias.
E eu, como professora, sou responsável por tudo isso? SIM, sou sim, assim como todas as pessoas que de uma forma ou de outra são responsáveis por outras: pais, mães, médicos, policiais, governantes.
Se eu não posso exigir do meu aluno que ele estude, faça as suas tarefas, tenho que aprová-lo sem ele saber o mínimo porque a lei o ampara,como posso executar aquilo que acredito? Conscientizá-lo de que o estudo é importante para ele, quando o deputado federal eleito com mais votos é praticamente um analfabeto? Quem é o palhaço desta história?
Se a família deste aluno não dá a ele base, estrutura, educação familiar, noções básicas de respeito, como posso eu fazer com que ele entenda tudo
isso dentro da sala de aula? Eu estou com ele por algumas horas, um ano ou quem sabe mais um, mas a família estará por toda a vida. Quem é a referência principal? Ultimamente, acho que esta referência é a TV… Se a nossa polícia tem uma forte imagem de corrupta, incapaz, despreparada, fraca em relação à marginalidade embora existam ótimos profissionais, também mal pagos, se a TV mostra violência, abuso de autoridade ou impunidade, que o crime compensa, como posso estabelecer regras e limites dentro da minha sala de aula?
Como posso desempenhar as minhas funções e executar aquilo que acredito num ambiente onde sou agredida, sou ameaçada, sou baleada?
Com resolver situações simples se não tenho apoio dos meus superiores por “n” motivos, entre eles: “o pai dele é o traficante do bairro”, “não podemos acionar o conselho tutelar porque vai constranger a criança”, “ temos que concordar com esta mãe senão ela vai na secretaria da educação e eu perco meu cargo”, “ não se pode colocar isto em prática porque desagrada aos pais, e são eles quem garantem o voto”, “você é a professora, dê um jeito”, “você é que não sabe lidar com ele”, “suas propostas não estão sendo significativas ou motivadoras”, e outros absurdos que nós, professoras, costumamos ouvir por aí.
Enfim, num país SEM EDUCAÇÃO, aqueles que se propõem a dedicar a vida a ela, são os menos valorizados, são ridicularizados e atualmente, correndo risco de vida.Q uem vai sofrer com tudo isso? Todos nós, a mesma população que votou inconsciente, que está cega perante o consumismo e o prazer do individualismo, aquela que está bem feliz comprando tudo o que lhes é oferecido na mídia e se esquecendo que o bem maior não se compra, se aprende: EDUCAÇÃO em todos os sentidos da palavra. Sem educação, os bons profissionais, em qualquer área que seja, estão desaparecendo… e aí, como vai ser o futuro? Cada um por si?
Então, já estamos nele…
Renata Santos – Pedagoga
São Caetano do Sul, 22 de setembro de 2011
Comentário by Thaize Torres Feijó on 27 de setembro de 2011 at 19:40
Renata, obrigada pela contribuição. É sempre bom saber que não estamos sozinhas nessa luta.
Um abraço,
Thaíze Torres Feijó
Comentário by laura datz on 16 de outubro de 2011 at 8:25
thai queria te ver de novo quando voce vai ir na escola de novo? to morrendo de saudades la as coisas sem voce nao sao as mesmas te amo bjs laura
Comentário by laura on 17 de janeiro de 2012 at 8:57
thai to morrendo de saudade de voce queria te ver de novo como vai a laurinha estou com muita muita saudade de voce um beijo e um abraço ass:
Laura
Comentário by laura on 17 de janeiro de 2012 at 9:00
thai eu te amo e eu nao consigo parar de pensar em voce um beijo para voce e um abraço para a laurinha assinado laura