Tratando diferenças em sala de aula

Já estamos em janeiro e nesta época começamos a pensar no ano letivo que se aproxima. Temos dúvidas em relação ao perfil da turma que receberemos nesse ano, como serão nossos alunos, o que gostarão de fazer, o que gostarão de ler, como será o relacionamento do grupo… e uma dúvida que atualmente faz parte das preocupações do professor é em relação à sua preparação acadêmica e prática para trabalhar com a inclusão. Esta preocupação nos faz pensar e repensar em nossa formação, nos faz questionar se tivemos a devida preparação para trabalhar com nossos alunos Portadores de Necessidades Educacionais Especiais. Nos questionamos, neste momento, se entendemos como trabalhar as diferenças que surgem em sala de aula e quais as técnicas e atitudes necessárias para dar aulas que contemplem a todos os alunos de acordo com suas necessidades.

O fato de tentar entender nossos alunos e trazê-los efetivamente para o contexto da sala de aula já é um bom começo, o que vem a seguir deve ser baseado no bom senso, na criatividade e na vontade de acertar.

Vamos começar o ano letivo de 2011 sem medo, de braços abertos e preparados para todo tipo de diferença, pois somos ao mesmo tempo singulares e plurais e crescemos  através das relações, com as descobertas, com as buscas e com as tentativas. Tente, encare o que vem de novo para você e acredite, você conseguirá. Basta trabalhar em parceria e acreditar no seu aluno. Ele te conduzirá da melhor forma!

“A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura.”  Lya Luft

Disque português

Há quase 30 anos existe em Fortaleza um plantão gramatical para tirar dúvidas por telefone ou fax de questões relacionadas à escrita da Língua Portuguesa. Os seis plantonistas são formados em Letras  e dois deles já têm Mestrado em Linguística. Outras regiões do Brasil também aderiram ao plantão gramatical e o Rio de Janeiro terá o seu disque-dúvidas em 2011. O projeto foi aprovado no dia 16 de agosto de 2010 pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Serão contratados oito professores e dois atendentes que responderão perguntas relacionadas a todas as questões voltadas para o estudo da Língua Portuguesa. 

Vamos aguardar!

Para pensar!

- Bem crianças , vocês estão dispensadas. Podem descer, com calma, para o pátio. A professora Zilma não virá hoje. Desconfio até que não poderá vir até amanhã!

- Legal não ter essa aula, tia Zara. A professora Zilma está doente?

- Não, não está doente, mas aconteceu uma coisa muito séria com ela e por esse motivo ficará sem dar aulas hoje e, como eu já disse, talvez até amanhã ou mesmo depois de amanhã…

- Puxa, tia Zara, então o que aconteceu com a professora foi mesmo grave. Ela por acaso sofreu algum acidente? Foi atopelada? Pisou em falso?

-Não, não e não! Não seja curioso. A professora Zilma não sofreu nenhum acidente, isto é, sofreu de uma certa forma, mas nada que atingisse seu corpo. Ela está bem de saúde e se achar o que perdeu, dará aula. 

-Então ela perdeu alguma coisa? E alguém deixa lá de dar aula porque perdeu alguma coisa? O que foi que ela perdeu? Perdeu seus óculos?

- Não, já disse para não ser curioso. Está tudo em ordem com os óculos da professora Zilma. Além disso, se perdesse os óculos ela não iria faltar as aulas. Ela por acaso fala com os óculos?

- Mas, tia Zara, se não foram os óculos, o que foi então? Alguma coisa assim tão importante?

- Claro que foi uma coisa importante, pois eu não estou dizendo que sem isso ela não voltará a dar aulas…

- Ah! Então já sei. A classe inteira já sabe o que a tia Zilma perdeu. Puxa, tomara que ela nunca mais ache…

- Que é isso menino. Não seja assim maldoso. Se Deus quiser ela vai achar e todas as professoras estamos colaborando para isso. Mas diga lá, como você adivinhou? Como sabe o que tia Zilma perdeu?

- Isso é fácil, acho que ela perdeu suas fichas de apontamento, que, segundo ela mesma comenta, a acompanham há mais de quarenta anos. Sem suas fichas e suas anotações, como é que a coitada dará aulas?

Muito se fala da importância inadiável de se transformar informações em conhecimento e de se permitir que o aluno leve para rua e, portanto para sua vida e seu entorno, os saberes que na escola aprende. Mas, se a estrutura da aula tradicional não mudar, de nada adianta clamar pelos novos tempos, aprendizagem significativa, habilidades operatórias e o despertar de capacidades, competências e inteligências.

(Retirado do livro: Marinheiros e professores II, do educador Celso Antunes)

 

Exemplo de escola!

Gente, recebi esses links e gostaria de dividir com vocês. Fiquei muito feliz e cheia de esperança ao ler esse essas reportagens. Acho importante ficarmos atentos também ao que acontece de bom na educação pública, que é tão carente e marginalizada.

Com essa escola, a história é outra!

http://www.abril.com.br/noticias/educacao/escola-municipal-fica-primeiro-lugar-indice-ideb-rio-576351.shtml

http://blogs.d24am.com/linguaeletra/2010/08/02/ideb/

Todas as escolas com biblioteca!

De acordo com dados do censo escolar elaborado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), apenas 57% dos alunos matriculados no ensino fundamental têm acesso a bibliotecas. Uma vergonha!

Você sabia que agora há uma lei que obriga todas as escolas públicas ou particulares a construir uma biblioteca no prazo máximo de dez anos?

Na biblioteca, além de pelo menos um livro por aluno matriculado (o que ainda acho muito pouco), deverá ter também materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura.

O que deveria ser uma atitude normal no ambiente escolar só acontecerá efetivamente porque as escolas estão sendo obrigadas a fazer. Repito: É uma vergonha! E vergonha maior é o prazo dado às escolas. Infelizmente, na cultura das escolas do Brasil, ter uma biblioteca com livros à disposição dos alunos que atendam aos seus interesses e necessidades não é um ato comum a elas. O que presenciamos em muitas instituições de ensino, são bibliotecas fechadas (quando há alguma) para os alunos. Apenas os professores entram, escolhem os livros “necessários para a aula” e levam para a sala de aula. O que, na minha opinião, é um erro. Os alunos precisam manusear os livros, folhear, ler, conhecer outros títulos do mesmo autor, investigar…

O problema também está relacionado ao professor que foi formado nessa cultura sem hábito de leitura (sei que é um paradoxo) e que não tem como passar esse prazer de ler para seus alunos.

Mas o importante é que agora é Lei e os professores devem começar a pensar em novas estratégias para esse mundo fantástico que a leitura proporciona e permitir aos alunos novas descobertas com livros instigantes, adequados às idades e aos desejos de cada um!

“Dupla delícia/ O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.” Mário Quintana

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