O Ensino da Matemática Tem Jeito

Sou assinante da revista Nova Escola há alguns anos e, ao ler a sua reportagem de capa do mês de dezembro, “ Uma nova luz sobre a tabuada”, me lembrei de algumas experiências positivas a respeito do processo de ensino-aprendizagem da Matemática que, mesmo com tantos avanços, ainda precisa evoluir bastante para perder o estigma de dificuldade que foi adquirindo com o passar dos anos.

Sou baiana e moro no Rio de Janeiro há 6 anos. Ao chegar aqui, precisava arranjar um emprego. Fui em algumas escola particulares e deixei muitos currículos, algumas me chamaram para trabalhar, outras não. Analisei propostas e quase fui trabalhar em uma escola que não tinha muito a minha cara. Não estava muito feliz, mas precisava muito de um emprego, quase fiquei por lá, mas… Precisava dar uma aula para que as coordenadoras vissem se eu tinha “condições” de ser professora. Me pediram para preparar uma aula de Matemática de adição para a primeira série. Fiquei um pouco preocupada, pois teria pouco tempo para preparar material para a aula. Pensei então em pintar palitos de cores diferentes e pedir aos alunos que somassem as quantidades de palitos de cada cor e depois a quantidade total . Queria saber como eles fariam para somar todas as quantidades e a partir daí faria a sistematização. Quando cheguei com meu material, muitos palitos de picolé pintados de verde, amarelo e vermelho (passamos, eu e o meu marido, a madrugada pintando aqueles palitos) a coordenadora me olhou com admiração e perguntou: “O que é isso?” Respondi: “É o meu material para a aula”. Ela pediu o meu planejamento e nem me deixou continuar, falou que a escola não trabalhava dessa forma, “com brincadeira” que eu deveria ensinar como fazer a conta. Falei que ensinaria a fazer a conta, mas que antes precisava ver se eles estavam entendendo o processo aditivo e ela me falou que não teríamos tempo para isso. Respirei fundo e disse: “É, acho que não sei dar aula em sua escola”. Agradeci o convite e fui embora. Ainda bem que não precisei ficar por lá!!

Em outubro de 2010 visitei a Escola da Ponte e, como já escrevi aqui no blog, fiquei encantada com o bonito e consistente trabalho realizado pela escola. Saí de lá cheia de certezas e convicta do meu papel como educadora. Enquanto passeava pela escola e constatava o que havia lido durante anos, sobre a forma de trabalho, ia passando um filme em minha cabeça com recortes dos meus anos de magistério. Percebi o quanto havia amadurecido e da mesma forma o quanto ainda deveria aprender. Durante o passeio, em um dos grupos, esse, chamado de “Núcleo de Iniciação”, composto por crianças de 5 a 7 anos, vi no quadro branco que um grupo trabalhava com Matemática e naquele exato momento uma das orientadoras trabalhava com a sistematização da subtração com Material Dourado. Claro! Parei e fiquei observando a explicação. Percebi que os alunos já tinham “brincado” bastante com o material e que na mesa havia mais um deles para que manuseassem, se sentissem necessidade. Em todo momento em que a orientadora explicava a subtração, fazia com que lembrassem o que tinham feito na prática e como tinham conseguido chegar ao resultado. Dessa forma, os alunos entenderam rapidinho o mecanismo e aí o trabalho fluiu, pois os mais avançados ajudavam aos que ainda tinham dificuldade. Pensei em minhas leituras sobre Piaget, Vygotski e na minha prática em sala de aula. Infelizmente não consigo mostrar direito nesta foto a representação feita.

Continuei passeando pela escola e ao entrar no espaço do “Núcleo de Consolidação” composto por crianças de 8 e 9 anos, percebi que um dos grupos trabalhava com a multiplicação. Parei um pouco para assistir a uma explicação. Um colega explicava para o outro que se ele não pensasse na tabuada não a entenderia. Era preciso pensar que se 4 x 5 é igual a vinte, 5×4 também seria. E foi dando outros exemplos. Achei interessante e perguntei se eles não decoravam a tabuada. A Ana, aluna que me mostrava a escola e que está no núcleo de “Aprofundamento” falou que sim, mas que depois que entendessem alguns mecanismos. Adorei a explicação! Neste momento lembrei da escola em que trabalho. É assim mesmo que é feito por lá. Primeiro entender o processo, pensar muito sobre o que se pretende alcançar criando mecanismos pessoais de pensamento e resolução de problemas para depois decorar a tabuada. Sem esquecer que a calculadora se torna também uma grande aliada na constatação das descobertas.

Confesso que aprendi a gostar da disciplina no Ensino Médio quando fazia Magistério e tinha a disciplina Metodologia da Matemática. Só “aprendendo como dar aula de Matemática” que me vi mais próxima da disciplina e consegui entender algumas coisas que só fazia mecanicamente.

Hoje, como professora, tento fazer com que meus alunos percebam como a Matemática está presente em nosso dia a dia e que ela não se transforme no “Bicho Papão” que acompanha tantos estudantes.

O que está acontecendo com a educação?

Tenho 32 anos e me lembro com saudade do meu tempo de escola. Lembro-me como admirava os meus professores. Discordava em vários momentos de algumas atitudes, mas mesmo assim sentia por aquelas pessoas uma grande admiração. Pensava que eles estavam ali para me ajudar, pois me faziam pensar, ir além da minha imaginação, descobrir aventuras através das leituras indicadas, pensar na Matemática como imprescindível para a nossa vida. Acreditava que os professores de Língua Portuguesa tinham o poder de encantar através das palavras, professores de História me faziam viajar no tempo e entender muitas coisas que acontecem no presente, pensando no passado. Com os professores de Geografia imaginava como o mundo é rico, bonito, completo… a partir das aulas de Biologia passei a pensar na importância das coisas que muitas vezes não damos a mínima no dia a dia. Confesso que a Física e a Química não eram a minha praia, mas a cada explicação entendia como estão presentes em nossa vida nas coisas mais simples como lavar uma louça ou andar. Mas o que eu mais admirava nos meus professores era o fato de fazerem parte da minha vida, alguns eu via como amigos, outros, confidentes, outros, sentia tanta admiração que eram intocáveis, em contra partida, cansei de ir à casa de muitos outros esclarecer algumas dúvidas e comer biscoitinhos de nata.

Acho que por esses motivos e muitos outros nunca pensei que poderia ser feliz e me sentir tão realizada em outra profissão.

Hoje, estava lendo duas reportagens que me deixaram muito triste. Uma, a respeito de um meninos de 10 anos que atira na professora e se mata no ABC Paulista e outra de uma professora do interior de São Paulo que apanha de aluno após reclamar de celular. Fico impressionada com situações desse tipo. Me questiono muito por não conseguir entender o rumo que a educação está tomando, que crianças estamos formando? Que sociedade estamos alimentando? O que será preciso fazer para que a educação volte a ser vista com respeito? Será que devemos voltar ao tempo em que os alunos não tinham opinião? Será que as correntes de educação se perderam em total permissividade? Será que precisamos usar mais o afeto na educação? Fico aqui com minhas dúvidas, procurando respostas em minhas lembranças, em meus livros, em cartinhas de alunos…Esses questionamentos precisam ser respondidos, quem sabe, em um outro post?
Até mais!

Como fica o professor nessa mudança?

secretário executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Ricardo Paes de Barros realizou um estudo que aponta que a ampliação do ano letivo em dez dias aumenta aprendizado do aluno em até 44% no período de um ano. A partir da apresentação desse estudo, o MEC passou a discutir e pensar na possibilidade da ampliação da carga horária nas redes de ensino. De acordo com Paes de Barros, os alunos de baixa renda não podem ter muito tempo de férias, pois não têm como estudar nesse tempo que ficam em casa, pois não podem contar com o apoio da família que apresenta, também, baixa escolaridade. Acrescenta ainda que o Brasil precisa elevar o desempenho em educação, sendo esta ampliação uma importante iniciativa.

O Ministro da Educação, Fernando Haddad ainda não definiu se a mudança será feita a partir dos dias ou de horas letivos, pois acha necessário discutir primeiro com os secretários estaduais e municipais de educação.

Agora, eu pergunto:
Como fica o professor nessa mudança?

Meu aluno tem TDAH. O que faço?

Calma, não se desespere! Trabalhar com esse aluno será mais fácil do que você imagina!

Primeiro, é necessário ler muito e conversar com profissionais que conheçam e tenham experiência com crianças com esse transtorno.

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é caracterizado por uma baixa capacidade de atenção, impulsividade e hiperatividade que, contrariando o que muitas pessoas pensam, afeta  crianças e persiste na adolescência e vida adulta também.

As crianças que apresentam hiperatividade precisam ser o tempo inteiro desafiadas, pois perdem o interesse rapidamente por atividades que não chamem sua atenção.   

Os sintomas mais comuns são agitação exacerbada, dificultade em manter-se atento a atividades muito longas, agir antes de pensar, apresentar grande dificuldade em planejar, costuma perder seus pertences, tem dificuldade de concentração, dentre outros sintomas relacionados à falta de atenção e agitação.

Geralmente, o diagnóstico é feito quando a criança inicia sua vida escolar, pois nesta fase já começa a mostrar falta de atenção  ou  impulsividade exageradas.

Atenção! Apenas profissionais qualificados como neurologistas, pediatras ou psiquiatras podem diagnosticar se a criança tem ou não hiperatividade. Porém o professor será de grande relevância para identificar  e informar à família qualquer comportamento diferenciado do seu aluno.

É necessário que o professor conheça o assunto para que possa se apropriar de diferentes estratégias  diversificando e enriquecendo suas aulas de forma que permita que o aluno com TDAH se interesse pelas propostas e veja a escola como um local prazeroso.

Quando o aluno apresentar um comportamento inapropriado, é importante que o professor mantenha a calma e  imponha limites claros para este aluno. O professor precisa ser organizado e ter uma rotina organizada para que este aluno se sinta seguro e confiante no dia-a-dia da sala de aula. É imprescindível que este educador faça com que o aluno se sinta capaz e lhe dê condições de ter atitudes autônomas para  que possa se sentir útil para o grupo e sempre valorizar seus progressos mostrando que são capazes de melhorar cada vez mais.

Você já ouviu falar em bullying?

 

Bullying é um termo ainda pouco conhecido. É uma palavra de origem inglesa e sem tradução ainda no Brasil, é utilizada para qualificar comportamentos agressivos com humilhações e maus tratos que ocorrem dentro da escola. As vítimas são pessoas que, de alguma forma, diferem do grupo por serem  muito magras, muito gordas e até por terem uma orientação sexual diferente …

Significa dizer que, os mais fortes utilizam os mais frágeis como objetos de diversão.

 Estas humilhações podem ser verbais, físicas psicológicas, sexuais ou virtuais.

 O bullying virtual  é a forma mais recente de agressão. O bullying virtual ou ciber­bullying expõe a vítima em uma esfera maior, pois sai dos muros da escola e tem um poder  de propagação instantânea.

 Nós, professores, devemos ficar atentos às mudanças de comportamento dos nossos alunos e perceber se encontram-se isolados do grupo nas horas de atividades livres ou ficam sempre perto de pessoas que possam protegê-los, se estão sempre tristes e excluídos do grupo, se faltam muito às aulas e mostram desinteresse nas atividades escolares. Devemos ficar atentos também aos bullies que são os agressores, estes também precisam de nossa ajuda. São pessoas que se divertem com o sofrimento dos outros, fazem brincadeiras de mau gosto, com as suas vítimas, ameaçam, agridem e colocam apelidos pejorativos .

Devemos ficar atentos, pois as vítimas de bullying se tornam reféns desse jogo de poder instituído.

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