A educação liberta!

Alexandre  Garcia fala sobre o descaso que há com a educação do nosso país.  É importante assistir, refletir e fazer alguma coisa para mudar esta triste realidade.

Vou fazer pedagogia como você!

Hoje, quando abri o meu Orkut pela manhã tive uma boa surpresa.

Uma ex aluna, fui professora dela na alfabetização, me escreveu a seguinte mensagem: “Oi pró Thaize, que saudade de você! Gostaria que soubesse que vou fazer faculdade de Pedagogia. Quero ser uma professora como você!”. Ao ler aquele recado, não consegui conter as lágrimas, chorei de emoção! Chorei mesmo! Pensei na minha trajetória em educação, pensei nos meus primeiros alunos, na insegurança que senti ao entrar em sala de aula pela primeira vez como professora e responsável por 18 crianças na educação infantil. Fiz uma viagem no tempo.

Meu pensamento foi longe, pensei nos erros que cometi por inexperiência, por insegurança e por querer demais de uma história que ainda estava começando. Eu, realmente, tinha muito o que aprender! E ainda estou aprendendo!

Hoje, mais madura, mais consciente em relação à educação do país e certa de minhas possibilidades, continuo aprendendo muito com meus alunos que diariamente me dão lições de vida e me ensinam como ajudá-los a aprender. Essa é, com certeza, a função do educador, aprender a cada dia com seus alunos e usar esse aprendizado para ajudá-los a transformar a educação. Sei que posso estar sendo repetitiva, muito romântica e que meu discurso é um tanto quanto ideológico, mas essa forma de pensar precisa fazer parte da minha vida. Vida de educadora! Acredito em uma educação para transformação, transformação de gente, de histórias de vida, transformação de uma nação…

Projeto de lei do senado

Projeto de lei do senado determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público.

Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.

Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.

Pode-se estimar que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais –vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República – deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$ 2.373,84 inclusive no exterior.

Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoral. O presente Projeto de Lei permitirá que se alcance, entre outros, os seguintes objetivos:

a) ético: comprometerá o representante do povo com a escola que atende ao povo;

b) político: certamente provocará um maior interesse das autoridades para com a educação pública com a consequente melhoria da qualidade dessas escolas;

c) financeiro: evitará a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação;

d) estratégica: os governantes sentirão diretamente a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.

Se esta proposta tivesse sido adotada no momento da Proclamação da República, como um gesto republicano, a realidade social brasileira seria hoje completamente diferente. Entretanto, a tradição de 118 anos de uma República que separa as massas e a elite, uma sem direitos e a outra com privilégios, não permite a implementação imediata desta decisão.

Ficou escolhido por isto o ano de 2014, quando a República estará completando 125 anos de sua proclamação. É um prazo muito longo desde 1889, mas suficiente para que as escolas públicas brasileiras tenham a qualidade que a elite dirigente exige para a escola de seus filhos. Seria injustificado, depois de tanto tempo, que o Brasil ainda tivesse duas educações – uma para os filhos de seus dirigentes e outra para os filhos do povo –, como nos mais antigos sistemas monárquicos, onde a educação era reservada para os nobres.

Diante do exposto, solicitamos o apoio dos ilustres colegas para a aprovação deste projeto.

Sala das Sessões,
Senador CRISTOVAM BUARQUE

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes